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A conveniência e coerência tucana

Fernando Henrique Cardoso é um termômetro de como a situação política nesse país está difícil de sustentar. Ele, que chegou a classificar de pinguela e mesmo assim defender essa “coisa” que #ForaTemer exerce (me desculpe, mas não dá para chamar de governo), agora declara que a renúncia e eleições diretas seriam uma saída honrosa. E fez isso poucos dias depois do tucanato grisalho (na essência, pois muitos tingem o cabelo, né Dória!?) optar pela permanência ao lado daquele que acha ainda ser presidente.

Na realpolitik, existe uma dicotomia entre coerência e conveniência que exige um equilíbrio de um acrobata chinês para saber quando e quanto dosar desses dois elementos. O PSDB, principal fiador do esquema de Temer, está emparedado precisando ganhar tempo para seus nomes graúdos também envolvidos na Lava-Jato, enquanto espera pacientemente as medidas econômicas surtirem o efeito desejado. Nesse meio tempo, a “ala jovem” cobra a saída do partido da base do governo a cada novo escândalo. E, convenhamos, se tem algo que essa “coisa” faz com maestria é produzir escândalos.

Voltando, a aposta da “ala velha” do partido tem referência histórica. Os cabeças brancas sabem que uma situação econômica favorável significa uma massa de eleitores afáveis. Foi assim em 1998, 2006 e 2010. Aos cabeças pretas, resta a dúvida pertinente de quando essa “coisa” produzirá efeitos positivos para quererem ser associados a ela, além de também terem um retrospecto histórico para analisar: as eleições de 2002, quando foi impossível para o PSDB defender perante o eleitorado o legado do FHC.

Fixar uma posição é complicado por conta da natureza conjuntural da política, no entanto, por conveniência, muitas posições se cristalizam até a hora que quebram. E FHC parece que percebeu que talvez não exista mais o que ser salvo. Aécio Neves está num buraco e parece que será o primeiro tucano a “ser comido” pela justiça (ao que consta, Jucá estava certo); os carecas, paulistas e de óculos também não estão surfando em ondas de popularidade, abrindo possibilidade para novas forças internas (mais conservadoras do que as que estão aí, diga-se de passagem). O grão tucano já até aventa Luciano Huck como um futuro a ser considerado.

Se algumas semanas atrás FHC achava que uma PEC para eleições diretas era um “golpe constitucional”, a mudança de cenário, cenário este que complica juridicamente e politicamente #ForaTemer a cada dois dias, fez com que ele revesse sua posição, dando força para esse movimento ainda incipiente de “Diretas Já”. Conjunturalmente, foi um reforço. É esperar pra ver.

por Luis Marcelo Marcondes

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