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Dois coelhos numa cacetada: Temer vai cair

Não me sai da cabeça que o Temer sair faz parte do golpe que começou com o impeachment da Dilma. O curso dos acontecimentos pode ter mudado, é verdade. Muito menos traumático, para ele, seria a cassação da chapa Dilma/Temer, o que asseguraria o cômodo discurso do “eu não tive culpa, isso é coisa do PT, etc”. As gravações, fotos, áudios, mala e dinheiro rastreados põe fim a um discurso seletivo da corrupção. Ao menos por enquanto.

É bom lembrar que a hipótese de impeachment da Dilma pareceu absurda pra muita gente quando esse assunto surgiu. Mas aconteceu, mesmo que com base em argumentos mancos e orquestrado por um bandido: Eduardo Cunha (vale lembrar que Cunha, quando preso, disse que entraria para a história como aquele que derrubaria dois presidentes). Depois do golpe, porque foi golpe, começou a pipocar a tese de afastamento do Temer, seja lá qual motivo fosse. O mais forte, até então, seria a cassação da chapa.

Tudo parte do golpe. Temer vai cair. Nosso Congresso, que dispensa apresentações, escolherá o próximo presidente. Apostaria, com desgraça, no Gilmar Mendes, pois como já escrevi aqui: “seriam a toa suas criticas a Procuradoria Geral da República depois dos recorrentes vazamentos da Lava-Jato, inclusive com ameaças de anulação das delações da Odebrecht? Se isso acontecer, um punhado de bandidos do Congresso Nacional sairia aliviado. É bom lembrar que a Lava-Jato é uma versão à brasileira da italiana Mãos-Limpas, que terminou com um acordão para livrar a cara de parlamentares de corrupções passadas e aquelas ainda por vir”.

Não me impressionaria se depois dessa pornochanchada, com o discurso de que já passamos por muitas turbulências e instabilidades, adiassem as eleições presidenciais para daqui cinco anos. Tempo mais do que suficiente para assegurar um projeto político de retirada de direitos e, de quebra, enterrar de vez a possibilidade enfrentar Lula nas próximas eleições.

Afinal, golpe que é golpe não segue roteiro, ou segue?

Obs.: em tempo, embora pessimista na razão, sou otimista na ação: Diretas já! Eleições gerais é a única saída para restabelecer nossa democracia.

por Pedro Veríssimo

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