Home / Política / A ponte para o passado de Donald Trump

A ponte para o passado de Donald Trump

Donald Trump tem mostrado a nós que imbecilidade na política não é uma exclusividade de quem está abaixo da linha do Equador. Ao que parece, a despeito de ser um empresário bem-sucedido, o presidente americano é capaz de produzir reflexões da profundidade de um pires e conduzir a maior nação do planeta com base nas suas convicções, que quase nunca têm conexão com a razão.

Nas eleições de 2016, Trump foi o comunicador ideal, conectando seu discurso com os anseios de milhões de pessoas que estão insatisfeitas com a situação econômica dos Estados Unidos. Esperto, jogou a culpa dos baixos salários e desemprego dos americanos na China, nos imigrantes e numa suposta preocupação exacerbada com o meio-ambiente, refutando violentamente qualquer espécie de informação que afirme o contrário de sua crença. Alguns analistas pensaram que era pura retórica eleitoral, uma vez que um homem que ganhou tanto dinheiro não poderia ser tão estúpido.

Como presidente, ele confirmou seu discurso. Decretou leis arbitrárias sobre imigração; está levando a diante, mesmo que sofridamente, a discussão de levantar seu muro na fronteira com o México; e agora aprontou mais uma: ontem, 1º de junho, deixou o Acordo de Paris 2015, em que 195 países signatários, entre eles o Brasilzão, assumiram metas para reduzir emissões de gás carbônico. Segundo Trump, a mudança climática é uma “invenção” chinesa, ignorando as evidências científicas que comprovam o efeito devastador da poluição no clima da Terra.

Esta questão ambiental suscita duas preocupações: Como preservar o meio-ambiente e explorar os recursos naturais de maneira sustentável? Como promover o crescimento econômico calcado na produção industrial? Uma olha para frente e a outra olha para trás na história.

Não existe uma resposta única e nem certa para essas questões, mas uma coisa é fato: o modelo industrial defendido pela política norte-americana é uma recusa em pensar o próprio futuro da indústria. E aqui é preciso deixar claro que, ao alinhar sua atuação presidencial aos anseios de uma classe trabalhadora saudosista dum modelo de produção em vias de extinção, Trump poderá penalizar ainda mais a sociedade que representa.

Na era da indústria 4.0, é muita ingenuidade acreditar que empresas irão contratar trabalhadores a um custo e risco elevados, uma vez que podem dispor de robôs para executar as mesmas tarefas initerruptamente. “Mas robôs não consomem aquilo que produzem, humanos sim”, dirá uma leitora. Concordo, mas, em nome da produtividade, competitividade e lucro, as indústrias se modernizam e acabam demitindo boa parte de seus funcionários, liberando mão de obra para outros setores da economia, como gostam de lembrar os liberais. Não estou falando que a indústria será dominada por robôs, mas ela precisa e precisará de um número cada vez menor de trabalhadores. E estes terão de ser cada vez mais qualificados.

Se prender na defesa de um modelo que não existe mais, além de ser uma falácia, é também protelar até o último momento a construção de uma alternativa moderna. Num mundo onde o tráfego da informação e do conhecimento é elevado e rápido, isso pode significar ficar para trás na história. E a história é impiedosa ao demonstrar quantos impérios ruíram por conta de um governo desastrado. (No caso dos EUA, George W. Bush poderá ser o “imperador” responsável, vai saber!?). A China, maior poluidora do planeta, afirmou que irá manter seus esforços para a redução das emissões de gás carbônico, isso a coloca numa possível posição de vantagem na busca por novas tecnologias.

Em suma, Trump e seus eleitores se prendem a um modelo de produção que não existe mais e continuam olhando para trás. Isso não quer dizer o fim dos EUA, até porque tem muita gente (muita gente mesmo) antenada no futuro e que irão resistir a 4 anos (duvido que ele se reeleja) sob o comando deste estúpido.

Por aqui, teremos eleições no ano que vem, e pelas nossas características naturais, temos a obrigação enquanto sociedade de iniciar um projeto que pense na exploração de nossos recursos naturais de maneira sustentável e com desenvolvimento tecnológico. Mas para isso, precisaremos escolher governantes e representantes que olhem para frente. Será difícil, para não dizer impossível…

por Luís Marcelo Marcondes

Comments

comments

Veja Também

A conveniência e coerência tucana

Fernando Henrique Cardoso é um termômetro de como a situação política nesse país está difícil …