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A prática do caos (ou como uma borboleta bate as asas e #ForaTemer resiste ao furacão)

Semanas atrás, estava muito crente de que #ForaTemer era carta fora do baralho, uma vez que Sérgio Zveiter, relator da denúncia contra o pequeno na Comissão de Constituição e Justiça, mostrava sua disposição de, junto com um exército de hienas, colocar Rodrigo Maia para substituir essa peça de decoração cafona que ocupa a sala da presidência. Temer ficou acuado e bicho quando fica emparedado faz o que? Ataca.

O Planalto respondeu com rapidez e promoveu um troca-troca na CCJ, que seria considerado obstrução de justiça caso fosse qualquer presidente entre 2002 e 2016, garantindo na marra a margem de segurança necessária. E para somar, veio a etapa da deforma trabalhista no Senado. Como as únicas coisas que mantém esta “coisa” (como já disse em outro texto, não é possível chamar o que temos de governo) em pé são as redeformas impostas, houve uma trégua em favor do homenzinho.

O molho dessa história chega com a condenação de Lula por Sergio Moro. Condenação, não. Dosimetria da pena, porque Lula já estava condenado faz tempo. Mesmo que não tenha sido assumido pelo homem do queixo quadrado, nosso Batman sem máscara, a lógica do “não temos evidências, mas temos convicção” foi que ditou esse processo. Faltou dizer que a “falta de provas constitui em prova irrefutável de culpa”. Essa condenação me parece mais para garantir a impossibilidade de Lula disputar uma eleição do que fazer justiça. Para o mundo político, isso basta (embora eu tenha lido que o PSDB perderá o seu grande antagonista para enfrentar Doria. Menos analistas, menos…), e para aquela parte da população que acredita que Lula é a personificação do mal que eles não aceitam, serve como um alento de que a justiça tarda, mas não falha.

Ao que parece, #ForaTemer tem aquela aura digna de pequenos homens de nossa história como José Sarney, que mesmo sem comando algum, vai continuando, continuando até acabar sua presidência e qualquer esperança de uma vida melhor. Com um agravante: Em 1989, partidos como PT, PSDB e o próprio PMDB eram vistos com desconfiança, mas esperança. Agora quase todos inspiram repulsa na maioria da população. Isso empobrece ainda mais o debate sobre políticas públicas e fortalece o cenário para o surgimento de um novo salvador da pátria (usaria o termo Messias, mas sabem quem tem Messias no nome? Jair Bolsonete, então deixa para lá…).

Honestamente, #ForaTemer ou #ForaMaia não fazem a menor diferença. A agenda de redeformas é quem está no comando do país. Sob a batuta dos meios de comunicação, elas vieram para o centro do debate apresentadas como a grande salvação, deixando a corrupção como algo tolerável diante dessa necessidade de adequação em favor do crescimento econômico. Esse discurso é tão forte que mesmo a Globo, que está empurrando para ver se o Temer cai já faz um tempo, não tem tido o mesmo êxito para mobilizar (ou manipular, para os mais radicais) as massas que teve contra a Dilma.

Para concluir este punhado de palavras, a maioria dos brasileiros vive anestesiada por seu próprio cotidiano massacrante e, talvez, utilize essa raiva pela política e políticos como um momento de se sentir superior a essa “roubalheira generalizada”, uma vez que “político é tudo igual mesmo”. Como uma espécie de arrogância: “eu não tenho estômago para lidar com isso”. Ou talvez seja uma resignação de quem só está a espera da morte porque “a vida é assim”. A real é: enquanto sociedade, somos ignorantes demais e com muita preguiça intelectual. Utilizamos as eleições como uma forma de nos livrarmos da responsabilidade que devemos ter por nossas cidades, estados e país, transformando a coisa pública (não confunda com Estado) problema dos outros.

E tem gente achando que com uma possível prisão do Lula estará tudo solucionado…

por Luís Marcelo Marcondes

 

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