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Terrorismo para validar tese do endividamento dos Estados

Desse debate em torno da questão do endividamento do Estados, chama a atenção, pra variar, o tratamento dado pela chamada grande mídia ao tema.

Em reportagem de página inteira de sua página econômica, ontem (24), o centenário, golpista e defensor do baronato do café O Estado de S.Paulo saiu-se com mais uma das suas. A tese principal da reportagem ‘Sem dinheiro, Estados cortam 47% dos investimentos no 1º bimestre’ é a de que se os Estados chegaram a situação de desconforto fiscal a culpa é, pra variar, do Governo Federal. Aliás, todos os problemas do país, sejam quais forem, é de responsabilidade do governo central, na visão míope e canalha dessa mídia.

O argumento de defesa da tese se resume a afirmar que “entre 2012 e 2015, a União estimulou os governos estaduais a se endividarem”. Como enxergam sempre a porção mais vazia do copo, os jornalões omitem descaradamente que foi nesse mesmo período que importantes obras de infraestrutura e de habitação foram entregues país afora. O jogo aqui, portanto, é propagandear que se os Estados chegaram a tal situação não foi em decorrência de má gestão e inépcia administrativa de seus governadores, mas sim, devido aos decretos presidenciais. Ora, ora, tinha que sobrar para a Dilma.

Nesta mesma reportagem do diário paulistano, com um desfile sem igual de números para corroborar a tese principal, o jornal lança mão de dois personagens que são justamente colocados ali para burilar o cenário pessimista do atual quadro financeiro. O jornal poderia ao menos contextualizar o leitor acerca dos interesses desses dois personagens e em qual banda eles costumam tocar. Trata-se de dois tucanos de altíssima plumagem: o atual secretário da fazenda do Paraná e serrista Mauro Ricardo Costa, com serviços prestados na prefeitura de São Paulo e Governo do Estado, quando o já citado amigo fora prefeito e governador, e o especialista e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, José Roberto Afonso, manda-chuva do BNDES nos anos FHC.

Os dois pintaram um cenário horrendo das finanças públicas, pois, combinado com o jornal, só lhes interessa, depois de passado o impeachment na Câmara, fazer terrorismo no campo das finanças públicas para que o processo ande com mais “legitimidade” na outra casa legislativa, o Senado Federal.

por Roberto Nascimento

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